Revista Poesia Sempre, ano 9, n.15

“Editorial

A revista Poesia Sempre homenageia o México, grande país com o qual o Brasil mantém importantes laços culturais solidários, tanto nas artes plásticas quanto na poesia, no cinema e no romance, na antropologia e nas ciências políticas. As raízes desse diálogo são antigas, e começam desde o elogio de Sor Juana Inés de la Cruz ao padre Antônio Vieira, até a leitura de Juan Rulfo e o impacto do romance e do ensaio, que chegaram ao Brasil através de esperadas edições da Cidade do México.

Como convite ao Diálogo, abrem-se nossas páginas com o crítico Alberto Ruy-Sánchez, apresentando a poesia mexicana mais recente, a que se segue uma ampla antologia daquela produção. Os ensaios e a iconografia da seção enriquecem a abordagem literária, no âmbito da primeira e da segunda metade do século XX. Assim, pois, Eduardo Portella realiza uma síntese da obra de Carlos Fuentes. Anthony Stanton evoca a presença de Octacio Paz, numa dicção memorialista, enquanto Ana Isabel Borges passeia nos labirintos pacianos. Israel Pedrosa presta homenagem pós-moderna à obra de Siqueiros, que ressurge num ensaio e numa série de quadros, como revela o making of no ateliê de Pedrosa, em Niterói. Beatriz Lagoa sublinha a trajetória de Diego Rivera e Frida Kahlo, num vôo de pássaro, e Beatriz Resende aborda a poesia de Beatriz Novaro.

A seção Poesia Brasileira Contemporânea vai ampliando suas fronteiras, sempre mais voltadas para o Brasil profundo, publicando poetas conhecidos e inéditos, independentemente da presença ou da ausência de ideologias latitudes, meridianos. Neste número privilegiamos - embora não exclusivamente - poetas do Nordeste e do Centro-Oeste. Considerado um dos maiores poetas da atualidade, Mario Luzi concedeu entrevista a um de nossos editores em Florença, acompanhada, em contraponto, pelo ensaio fotográfico de Luciano Bonuccelli.

Com Haroldo de Campos, volta-se a Poesia Sempre, com maior intensidade, para as diferentes poéticas de nosso tempo, e o texto de Haroldo sobre a Cosmopoesia atinge uma crítica rigorosa dentro desse espaço.

O conjunto de ensaios discute alguns temas principais ou secundários deste número. Assim, Consuelo Alfaro e José R. Bessa Freire apontam - em Couto de Magalhães - os desafios de uma poesia etnográfica. Fábio Lucas freqüenta as razões poéticas de Dora Ferreira da Silva, e Luís Augusto Fischer, o modernismo extraviado de Tyrteu.

Finalmente, a seção Poesia das Américas - com poemas anteriores à Conquista, como o Popol Vuh (dos maias), os poemas quechuas (do Peru e da Bolívia) e o Ayvu Rapytá (dos índias mbyá-guarani, do Paraguai), traduzidos e apresentados respectivamente por Floriano Martins, Sérgio Soares e Douglas Diegues - responde por uma necessidade da expansão das fronteiras poéticas e intelectuais dentro de nosso Continente, não raro desconhecido por seus vizinhos.

Que a revista Poesia Sempre possa contribuir para o Diálogo, a Cultura e a Paz no mundo pleno da Diferença.”

Características (título)

Ano de publicação: 
2001

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