Revista Poesia Sempre, ano 15, n.28 − Peru

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“O Peru está mais longe do que Alfa Centauro – a julgar pela comunicação poética entre nossos países. Pouco mais que escassa. E não seria o caso de se repisar a ideia das malhas de um processo que torna a América Latina tão distante de si, como se encontra daquela constelação.

A obra de César Vallejo é uma estrela de primeira grandeza. Febre alta. Cheia de Brilho. E Latência. E como não lembrar dos ensaios de Cornejo Polar, sobre diferença e identidade nos Andes, com aquela fineza do grande intérprete que foi?

Algumas pontes desafiam a distância Brasil-Peru, como as edições de Ciro Alegria, Scorza, Llosa, Mariátegui, além da antologia El río hablador/O rio que fala, de Everardo Norões, marco recente nesse diálogo que se mantém vivo, e há muitos anos, graças também à inspiração de Floriano Martins, com seu passaporte poético latino, que não teme aduanas de fundo ideológico.

A ele coube a tarefa de preparar uma seleção da poesia contemporânea do Peru. A escolha demonstra ao mesmo tempo a maestria do recorte e a fineza da tradução. A começar pelo diálogo instigante entre Carlos Germán Belli, Hildebrando Pérez Grande, Pedro Ganados e Rossella di Paolo, que prepara o leitor para a antologia.

Logo depois do dossiê, Pietrina Checcacchi inaugura um vernissage de bolso, reunião de geografias e escalas todas suas, partindo de uma subjetividade que se deseja coletiva, no corpo, no tempo, na figura.

Antonio Cícero responde a quatro questões que abrangem a sua obra, como poesia e filosofia, música e palavra, modernidade e pós-modernidade.

Carlos Felipe Moisés percorre a poesia sempre nova de Álvaro Alves de Farias e Frederico Gomes se aventura no rigoroso território da poesia de Ivan Junqueira, ao passo que Claudio Willer sonda uma vasta parcela da poiesis de Guimarães Rosa, buscando-lhe o abismo do silêncio e da palavra.

A seção de inéditos continua sendo a capital destas páginas. Capital de uma república que abraça todas as tendências possíveis. Tirando-se os ismos em estado puro.

A obra e a figura de Paul Celan ocupama a seção Signo absoluto. O poeta e amigo do autor de Sprachgitter, Yves Bonnefoy, lança hipóteses fundadoras sobre o lugar da poesia em Celan, a partir da infâmia de plagiato que lhe fora atribuída pela viúva de Goll. George Popescu, poeta romeno, prende-se mais às raízes da Bucovina e à língua de Eminescu, mais para Ancel do que para Celan. E, finalmente, Rosana Kohl Bines, leitora de Canetti e Samuel Rawel, aposta na reeducação dos sentidos para se chegar a um Clean ao mesmo tempo judaico e universal.”

Marco Lucchesi

(texto da apresentação)

Características (título)

Ano de publicação: 
2008

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