Revista Poesia Sempre, ano 14, n.27 − China

Autor(es): 
Diversos autores

“A China é o tema central da Poesia Sempre. Dizer dos desafios e dificuldades dessa empreitada ocuparia um não pequeno número de páginas. Mas, se a descoberta de um vasto continente poético exigisse um diário de bordo, essas páginas seriam bem maiores que as de todas aquelas dificuldades. O poeta Gu Cheng disse que acena a seus ‘irmãos do outro lado do Atlântico’. E aqui o saudamos de volta. A janela é ampla. Saudamos nossos irmãos do Pacífico. Mesmo porque – como lembra Toynbee em seu Um estudo da história -, se Vasco da Gama se atrasasse um pouco mais e se a China estivesse bem mais decidida, talvez a nossa língua hoje tivesse algo da pronúncia de Beijing ou Shanghai.

O artigo que inaugura a presente edição, ‘Esta é uma outra China’, de Claudia Pozzana e Alessandro Russo, analisa em amplitude e contundência a situação atual da poesia naquele país e os imensos desafios que a atravessam.

Claudia – titular da Universidade de Bolonha, poeta experimental, ensaísta e tradutora de renome – organizou para a Poesia Sempre uma antologia dos poetas chineses contemporâneos, dos quais se destacam Bei Dao, Mang Ke, Yang Lian, Gu Cheng, Shu Ting, Duo Duo, Meng Lang, Chen Dongdong, Mo Mo, Xi Chuan e Xiao Kaiyu.

A versão da poesia contemporânea foi repensada em português pelo poeta Marcos Silva, sob a orientação daquela mesma estudiosa, que se valeu dos livros Nuovi poeti cinesi e Speranza fredda, Einaudi, sendo o primeiro volume elaborado em parceria com Alessandro Russo, eminente sinólogo), além de inéditos e poemas editados pela revista In Forma di Parole. Trata-se de uma reunião de grande beleza que conta com nomes indicados para o Nobel, como é o caso de Yang Lian.

Visando sempre ao enriquecimento das experiências poéticas do mundo com as da cultura brasileira, a tradução dos poetas clássicos da China, assinada por Armindo Branco Mendes Cadaxa, é um motivo da alta expressão do diálogo, que se esboça. E que avança com Hu Xudong, ao verter para o chinês uma parte substancial de nossa moderna poesia. O poeta e professor da Universidade de Beijing aparece ainda em uma entrevista concedida ao ensaísta Henryk Sierwierski.

A seção iconográfica traz sempre uma joia do acervo da Biblioteca Nacional, e dá provas constantes de sua riqueza a cada edição da Poesia Sempre.

E a seção da poesia brasileira inédita é, mais uma vez, o coração da Revista, apontando tendências e insistindo na polifonia de suas vozes.

A obra foto-poética de Luciano Bonuccelli realiza uma delicada aproximação com a obra de Dante, buscando a cada paisagem um apelo, um sentido, uma demanda sugerida pela Divina Comédia.

Finalmente, na seção de ensaios – ‘Por uma cartografia inacabada” – três jovens mestres, críticos e poetas, traçam o desenho possível das atuais tendências da poesia brasileira. Fábio Andrade desenha uma espécie de herança e reinvenção do surrealismo na poesia brasileira. Ésio Ribeiro propõe o resgate da obra poética de Lúcio Cardoso, que ainda espera uma atitude holística que lhe preste devida homenagem, dentro da geolírica do século XX. Instigado por Ítalo Calvino, Nonato Gurgel define uma sexta proposta para o milênio, a partir das ideias de leveza, rapidez, exatidão, visibilidade e multiplicidade, que ele aponta nos poetas contemporâneos.

Nossos agradecimentos ao setor de Iconografia da Biblioteca Nacional e ao artista plástico Hélio Jesuíno, cujas vinhetas criativas tornaram mais leves e arejadas estas páginas.”

Marco Lucchesi

(texto da contracapa)

Características (título)

Ano de publicação: 
2007

Rótulos

Revistas e Periódicos

Poesia Sempre