Divina Proportione

Autor(es): 
Luca Pacioli

“Prepare-se o leitor antes de entrar nestas páginas. Como se estivesse na iminência de ver a espessura dos bosques de Botticelli – na harmonia das flores e dos córregos – ou de tocar os cavalos de Paolo Uccello, altivos, cheios de vida, retratados no calor de uma batalha. Este livro guarda um pacto de beleza e precisão, que se despreende dos diálogos do Vitrúvio. Prepare-se o leitor para as figuras dos sólidos regulares e semirregulares, uma parte dos quais feita por Leonardo da Vinci para compor o volume de Luca Pacioli.

‘Este livro é uma das joias da divisão de Obras Raras da Biblioteca Nacional. Tesouro restaurado pelo Projeto Fênix e que se oferece ao público numa criteriosa seleção de trechos fac-similares. Escrito em 1498 e publicado em 1509, o Divina Proporcione é um objeto de beleza ímpar, que se insere na família das grandes edições da Sereníssima República de Veneza.’

As datas da vida de frei Luca Pacioli são bastante seguras e se situam entre 1455 e 1517. Nasceu em Borgo San Sepolcro, na Toscana. Tomem-se algumas coordenadas. Foi aluno de Piero dela Francesca. Frequentou em Urbino a biblioteca de Federico de Montefeltro. Amigo de Leon Battista Alberti e de seu grande círculo de intelectuais. Entrou para a Ordem dos Frades Menores, em 1470. Lecionou Casamento da Virgem, de Rafael. Ele é o centro de um mistério, do qual dependem os olhos de Mona Lisa ou da Belle Ferronnière.

A obra de Pacioli traz a dicção de seu próprio tempo e apresenta uma biodiversidade em que a matemática, a magia e a teologia completam-se mutuamente. A linguagem algébrica ainda não possui uma gramática mais definida, tal como a língua italiana de então: p equivale a più (+); m a meno (-); co a cosa, a incógnita (x); ce a censo, a igualdade (=). Dois séculos de desprezo pela álgebra, e ei-la de volta, com Pacioli, Cardano e Regiomontanus, abrindo o caminho para a grande síntese de Descartes um século depois.

Prepare-se o leitor antes de entrar nestas páginas, que valem como um banquete platônico, cheio de saudades por um diálogo sem fim entre número, beleza e harmonia.”

Marco Lucchesi

(texto da apresentação)

Características (título)

Ano de publicação: 
2006

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