Rio 450 anos - Bairros do Rio - Madureira

quinta-feira, 2 de julho de 2015.
Notícia
450 anos do Rio de Janeiro
“A fisionomia dos bairros dia a dia se modifica, conservando porém a tradição transmitida à gerações, quer pela expressão documentária da obra do homem, que primeiro conquistou as terras ou as trabalhou para seu goso e ventura, quer pela palavra, fixando os fatos que constituem a crônica diária ou a história falada, desde as antigas fazendas, que são a pedra fundamental das cidades que rebentam maravilhosamente aos nossos olhos, até os empórios comerciais de vida intensa e movimentada. Madureira, cuja atividade deslumbra o visitante, deriva da antiga Fazenda do campinho, que é a geratriz de vários bairros suburbanos, hoje conhecidos pelos nomes de Quintino Bocaiúva, Cascadura, Campinho, Osvaldo Cruz (antigo Rio das Pedras) e Fontinha. Sua história remonta, ainda, á época colonial.”

Assim, na Revista Rio Ilustrado, de 1937, Diomedes de Figueiredo Morais começava seu artigo sobre o surgimento do bairro de Madureira, no subúrbio da cidade do Rio de Janeiro.

Morais prossegue a narrativa com referências históricas sobre o bairro: “O Largo do Campinho, antes da vinda de D. João VI para o Brasil, era o ponto de convergência das estradas de Jacarepaguá até Engenho D’Água, Estrada do Piraquara, por onde passavam comboios de tropas e animais que provinham das fazendas dos Jesuítas em Santa Cruz, Itacurussá e Itaguaí, confiscadas, depois pelo Marquez de pombal. Do largo do Campinho para Irajá, seguia a Estrada da Nova Freguezia, que se ligava, à Estrada da Pavuna, com um ramal para a Freguezia de Irajá.”

Ainda segundo Diomedes Morais, a formação do bairro de Madureira foi influenciada pela existência e atividade das fazendas: do Campinho, da Bica, da Portela, de Cascadura, do Engenho da Rainha, da Boa Esperança, do José Gregório, do Frutuoso, do Vigário Geral e do Provedor. Todas se comunicavam por caminhos ligados à Estrada Nova de Jacarepaguá, à Estrada da Pavuna e aos caminhos que levavam aos portos na baía de Irajá. Nesse cenário, Madureira se destacava como um ponto de intermédio de tropas e tropeiros que arranchavam no Largo do Campinho ou na Pavuna, principalmente depois da descoberta de ouro em Sabarabuçu e Tripuí.

O artigo prossegue enfatizando que no período entre 1816 e 1822 surge a figura de Lourenço Madureira, descrito como um “demandista insistente”, que arrendou parte das terras da Fazenda Campinho, onde além de um pequeno roçado de milho e mandioca, estabeleceu morada.

Diomedes de Figueiredo Morais termina seu artigo sobre Madureira com a seguinte reflexão: “Madureira cresce assombrosamente. E onde irá parar com a eletrificação, de um lado, e o alargamento da Linha Auxiliar de outro? Ninguém pode precisar a extensão de seu desenvolvimento, com fundações tão bem lançadas. Os que se foram encontram, na admiração de hoje, e na benemerência dos seus nomes, mais do que recompensa: Glorificação.”

Revista Rio Ilustrado 1937
Revista Rio Ilustrado 1937
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