Rio 450 anos - Bairros do Rio - Paquetá

domingo, 7 de junho de 2015.
Notícia
450 anos do Rio de Janeiro
Os primeiros registros da Ilha de Paquetá remontam a 1555 e têm ligação com a expedição do vice-almirante Nicolas Durand de Villegagnon e sua missão para fundar a França Antártica, anterior à própria fundação da cidade do Rio de Janeiro.

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Paquetá -  Ferrez, Marc - Rio de Janeiro, RJ :  [ca. 1890].
Paquetá - Ferrez, Marc - Rio de Janeiro, RJ : [ca. 1890].

O livro A Ilha de Paquetá em 1869, de Raymundo Fernando Sampaio Rebello, da Academia de Artes, Ciências e Letras da Ilha de Paquetá, traz a seguinte citação, atribuída ao padre Joaquim da Rocha Cristallina (1869):

“É um espetáculo agradável o passeio em noite de luar.  As árvores açoutadas pelo Nordeste, o céu puro de nuvens, e o caminho branqueado de areia, fazem com que ao caminhar lentamente mais se alegre o nosso espírito!  Mas quando se presta atenção, e se houve o sussurro das árvores, quando se lança os olhares para a baía do lado sueste, e o mar plácido e prateado pelo clarão da Lua, se assemelha a um claro espelho, o coração se encanta, e o homem recorda-se de um Deus criador, e lembra-se necessariamente do Paraíso, onde foram   colocados nosso primeiros pais.  Mas, se derdes alguns passos, atravessando a ilha em direção leste, vereis tudo quanto tenho descrito, o mar agitado pela brisa, vem quebrar seus grossos vendavais nas lindas praias que o limitam.”

O nome da Ilha tem origem tupi e uma tradução polêmica. Para alguns especialistas, “Paquetá” significa “muitas pacas”, o que é contestado por outros, pois não há registros de que o animal habitasse a Ilha. Outra corrente de especialistas em tupi aponta para a possibilidade de “Paquetá” significar “muitas conchas”, pois consideram que a abundância de mariscos nas praias tenha incentivado a fundação de diversas caieiras. Segundo Vivaldo Coaracy, no livro Paquetá: imagens de ontem e de hoje (1965 – Ed. Olympio), “a verdade  é que não se pode afirmar com segurança e certeza o que na linguagem dos ameríndios, significava o nome Paquetá. Só é incontestável a origem”. Para Coaracy, “nos documentos antigos, o nome da Ilha aparece grafado por duas formas: 'Pacoatá' e 'Paquatá'”.

Gastão Cruls, no livro Aparência do Rio de Janeiro, publicado em 1949, descrevia assim os aspectos geográficos de Paquetá:

Em tamanho, Paquetá é a segunda Ilha da baía.  Não obstante isso, cinge-se a uma superfície de pouco mais de 1.000.000 m² distribuídos num sentido longitudinal norte-sul, pois que tem 2.500 metros de comprimento e a sua largura, muito variável, em certos trechos é bastante exígua.  Assim, se nos limites extremos dilata-se nas pontas da Imbuca, ao sul, e do Lameirão, ao norte, adelgaça-se ao centro na Cintura ou ladeira do Vicente, onde, de mar a mar, não medeiam 100 metros.  É também nas zonas terminais que apresenta alguns morrotes, nunca excedentes de 50 metros de altura: dois ao sul, o da Cruz e o da Paineira, em um ao norte, o da Caixa D’água. 

Os aspectos geográficos da Ilha também são fruto do estudo de Vivaldo Coaracy, que assim os descreve:

Ao fundo da Guanabara, para nordeste, emerge das águas reduzido arquipélago formado por dois grupos distintos de ilhas e ilhotas.  O primeiro é constituído pelas ilhas  Comprida, Redonda, dos Ferros, da Casa-de-Pedra, do Braço Forte e Jurubaíbas, além da ilhotas da Pita e do Manguito e dos parcéis de Cocóis e Gravataí.  Compõem o segundo grupo as ilhas de Paquetá, Brocoió, Pancaraíba, Itapacis, dos Lobos e da Folhas.  Entre um e outro grupo, situam-se os recifes das Tapuamas, de dentro e de fora.

As praias da Ilha são: Praia dos Tamoios, do Catimbau, do Lameirão (das Águas, da Covanca, dos Coqueiros (Pintor Castagneto), de São Roque, da Moreninha (Dr. Aristão), Manuel Luís, dos Frades, da Imbuca - Iracema e Moema, Praia da Mesbla, Praia Grossa e Praia José Bonifácio (Praia da Guarda).

Paquetá abrigou algumas indústrias de cal, carvão de lenha e das esteiras, além de contar com jazidas de caolim, material que, segundo Cruls, foi utilizado por um químico brasileiro para confecção de um belo serviço de louças oferecido a D. João VI.

Em 1565 a Ilha de Paquetá é doada por Estácio de Sá, sob a forma de duas sesmarias, sendo a parte norte doada para Inácio de Bulhões, e a parte sul para Fernão Valdez.

Com a chegada da Família Real no Brasil e o Príncipe Regente, um alvará especial de D. João cria a Freguesia do Senhor Bom Jesus do Monte.

Em 1903, os distritos de Paquetá e Governador são unidos no Distrito das Ilhas, incorporando ilhas e ilhotas ao redor.

Em 1961, o governador do estado da Guanabara cria o Distrito Administrativo de Paquetá e, em 1975, com a fusão da Guanabara e do Rio de Janeiro, a Ilha de Paquetá passa a pertencer à cidade do Rio de Janeiro, constituindo sua XXI Região Administrativa.

Paquetá - Ferrez, Marc - Rio de Janeiro, RJ : [ca. 1890]
Paquetá - Ribeiro, Antônio Caetano da Costa - Rio de Janeiro [RJ] : [s.n.], [ca. 1914].
Ilha de Paquetá - Gutierrez, Juan - Rio de Janeiro, RJ : [s.n.], 1894.
Praia de Catimbau (Paquetá) - Gutierrez, Juan: [s.n.], 1894.
Paquetá - Gutierrez, Juan - Rio de Janeiro, RJ: [s.n.], 1894
A Ponta do Lameirão em Paquetá - Con, Frederico Carlos - Rio de Janeiro : [s.n.], [1864?].
Paquetá - Ribeiro, Antônio Caetano da Costa - Rio de Janeiro [RJ] : [s.n.], [ca. 1914].