Rio 450 anos - Bairros do Rio - Copacabana

sexta-feira, 19 de junho de 2015.
Notícia
450 anos do Rio de Janeiro
“A tarde, ao pôr do sol, Copacabana é linda, cantou um poeta, mas em verdade ela é admirável a qualquer instante, desde a madrugada até à noite, quando o luar lhe aumenta os encantos ou a luz elétrica a faz garrida e estonteante. E, no entanto, permaneceu séculos sem que ao carioca se apercebesse de sua beleza e do imenso valor que representava aquele areal onde medravam apenas cajueiros e pitangueiras e viviam raros pescadores em raríssima choupanas.” Assim, Nelson Costa começa o segundo parágrafo do capítulo sobre Copacabana em seu livro “Rio de ontem e de hoje”, publicado em 1958.

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Malta, Augusto, 1864-1957 - Igrejinha de Copacabana
Malta, Augusto, 1864-1957 - Igrejinha de Copacabana

Nelson Costa, afirma que o lugar era conhecido como Sacópenapan ou Sacupenopan, denominação tupi, que significa “pancada nos socós, corrupção, de çoocó-apê-nupan, caminho batido dos socós”.

Na região de Sacópenapan por volta de 1575 foi construído um engenho de açúcar - O Engenho d’El Rei -, que devido à dificuldade de acesso e ao terreno arenoso, foi considerado de pouco valor e vendido para Diogo Amorim Soares, que manda erguer no local uma capela, a Nossa Senhora da Conceição, nome adotado também para o antigo engenho.

O nome “Copacabana” substituiu a denominação usada pelos tamoios, por influência da imagem de Nossa Senhora e tem origem Andina. No livro “Copacabana 1892-1992 - Subsídios para a sua história”, idealizado por J.G.Machado e publicado pela RIOTUR em 1992, o nome faz referência à composição de duas palavras aymaras: Copac (Kjopac), que significa azul e Cahuana (Kahuana) que quer dizer mirante, palavras que definem “a topografia da península de Copacabana, denominando o lago Titicaca, onde o céu e as águas se confundem num profundo azul. Da grafia aymara passou para quiiíchua (queshwa), como Qopaqhawana e finalmente à espanhola, como Copacabana.

Segundo o livro “História dos bairros - memória urbana” organizado pela PUR-UFRJ, e publicado em 1986 pela João Fortes Engenharia e a Editora Index, a troca do nome foi motivada pelo aparecimento, na praia, de uma imagem de Nossa Senhora de Copacabana, santa venerada no lago Titicaca. Os autores afirmam ainda que essa imagem esteve em 1638 num dos altares da igreja de N.S. do Bonsucesso, e que, 100 anos depois, foi transferida para a capela dedicada a Nossa Senhora de Copacabana, erguida na praia de Sacópenapan.

Dentre os muitos milagres atribuídos à santa, há relatos de que em 1746, ao regressar de Angola, o Bispo D. Antônio do Desterro correu sério risco de vida com o naufrágio de sua embarcação. Em desespero, ele avista a igrejinha de Nossa Senhora de Copacabana - em ruínas, e pede à Virgem que o proteja. O Bispo promete que caso fosse salvo, restauraria a capela e construiria uma casa para abrigar seus romeiros. Salvo, D. Antônio cumpre a promessa e durante quase dois séculos a igreja se destacou na região onde hoje está o Forte Copacabana.

Praias de Ipanema e de Copacabana, Rio de Janeiro (RJ) : [s.n.], [193-].
Malta, Augusto, 1864-1957, Praia de Copacabana vista do pátio do Copacabana Palace Hotel
Malta, Augusto, 1864-1957, Avenida Atlântica, parte do Leme - Rio de Janeiro - 1921.
Malta, Augusto, 1864-1957 - Copacabana em 1895