Tema: Fundação da Ford Motor Company (16 de junho)

terça-feira, 16 de junho de 2020.
Notícia
Ford Motor Company, Henry Ford., Fundação Biblioteca nacional
Em 16 de junho de 1903, no subúrbio de Detroit (Michigan, EUA), foi fundada a Ford Motor Company, pelo empresário norte-americano Henry Ford. Uma das mais importantes empresas da indústria automobilística até os dias de hoje, a companhia se notabilizou, ainda nas primeiras décadas do século XX pelas grandes transformações que promoveu no processo produtivo de seus carros.

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Empresário norte-americano Henry Ford
Empresário norte-americano Henry Ford

Antes de Ford, a produção de carros era quase que artesanal: demandava operários extremamente qualificados com um enorme conhecimento técnico sobre o seu labor, que produziam e montavam um automóvel praticamente sozinhos do início ao fim do processo, o que tornava os automóveis um artigo de luxo que dificilmente se popularizaria se a produção permanecesse nesses moldes. Ford alterou tudo isso, se apoiando em importantes modificações, tais como: o parcelamento das tarefas com a criação das linhas de montagem; a padronização das peças e da produção; a automatização das fábricas; e a produção em massa, visando baratear os custos de produção.

Tais medidas tiveram resultados concretos e praticamente imediatos na empresa de Ford: sua produção chegava a ser oito vezes mais rápida que a de seus concorrentes ainda presos ao antigo sistema artesanal. O capital da empresa, entre 1907 e 1919, passou de 2 milhões de dólares para 250 milhões. Em 1921, pouco mais da metade dos automóveis do mundo (53%) vinham das fábricas da Ford.

Ford revolucionou o processo produtivo em sua empresa, inspirado explicitamente pelo método de gerência científica de Frederick W. Taylor – que consistia na repartição planejada das tarefas visando aumentar sua produtividade e a lucratividade advinda. Mas o novo regime de produção implementado por Ford não se restringiu ao processo produtivo apenas, envolvendo uma política salarial que visava tornar o operário o próprio consumidor do produto de seu trabalho, criando assim um mercado de massas para a produção massificada de menor custo realizada nas suas fábricas, tendo como símbolo o Ford modelo T, altamente popular à época. Surgiu assim o que se convencionou chamar de “fordismo”, que aliava produção e consumo de massas, um novo sistema de reprodução da força de trabalho (que deveria estar apta ao trabalho desgastante e repetitivo nas linhas de montagem eternizadas por Charles Chaplin em “Tempos Modernos”), uma nova política de controle e gerência de trabalho (buscando administrar da maneira mais lucrativa possível as diversas tarefas que compunham a linha de montagem, padronizando o trabalho em todas as suas escalas, transformando os operários quase em apêndices das máquinas através de hierarquias nas tarefas baseadas inclusive em linhas raciais), uma nova estética (padronizada e universal, no lugar do particularismo do artesanato) e uma nova psicologia (que deveria dar conta das consequências das transformações no processo produtivo sobre os trabalhadores), em suma, um novo tipo de sociedade racionalizada e modernista, base do “american way of life”.

(Thiago Romão de Alencar)

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