As “Rainhas das Bancas”

segunda-feira, 25 de maio de 2020.
Notícia
Revista da Semana, Revista O Cruzeiro, Revista Manchete, Fundação Biblioteca nacional
Revista da Semana (1900-1959) O Cruzeiro (1928-1985) Manchete (1952-2000)

As maiores revistas de variedades editadas no Brasil?

Provavelmente sim. Mas certamente as mais representativas e influentes publicações de suas épocas.

Inovadoras, prestigiadas e com conteúdo produzido pelos mais brilhantes  formadores de opinião da vida nacional (em todas as áreas), essas revistas, em dado momento de suas existências, ostentaram o título de “Rainha das Bancas”, por conta da grande variedade de informações ricamente ilustradas em edições produzidas de forma impecável e, em alguns casos, históricas. Além da tiragem, muitas vezes muito superiores ao padrão de tiragens de revistas no mercado brasileiro (claro, para a época), havia um diferencial para as demais revistas publicadas, um outro 'nível' ....

A pioneira desse segmento foi a Revista da Semana, fundada por Álvaro de Tefé (filho do Barão de Tefé) que logo em sua edição de estreia causou um impacto verdadeiramente fulminante na imprensa nacional ao publicar pela primeira vez (em uma revista) uma fotografia, quer dizer, uma não, em verdade tratava-se de uma edição alusiva aos 400 anos de descobrimento do Brasil, recheada de belas imagens de várias cidades do país. Embora tenha circulado como suplemento do Jornal do Brasil até 1915, desde a sua primeira edição a Revista da Semana adquiriu identidade própria, inaugurando um segmento até então pouco explorado (ou conhecido) da imprensa nacional: Os grandes magazines de variedades, semelhantes aos existentes na Europa e Estados Unidos.

Nas páginas da Revista da Semana encontram-se contribuições de nomes como Olavo Bilac, Pedro Lessa, Raul Pederneiras, J. Carlos e Menotti del Picchia dentre tantos outros. Circulou até 3 de janeiro de1959.

Já a revista Cruzeiro foi lançada 10 de novembro de 1928 por Carlos Malheiro Dias, passando em seguida para Assis Chateaubriand que, a partir do nº30, em junho de 1930, renomeou a publicação (acrescentando o “O”) e incorporou-a aos Diários Associados, beneficiando-a de forma decisiva da estrutura dessa rede de comunicação para de fato se tornar a primeira revista de circulação nacional e a primeira revista brasileira a manter sucursais fora do país (Lisboa, Paris, Roma, Nova York e Tóquio).

Se a Revista de Semana causou um enorme impacto na imprensa brasileira, O Cruzeiro estendeu esse impacto aos níveis mais elevados. A perfeita combinação de texto e imagem eram uma característica da publicação, além do imenso 'time' de colaboradores que, dada a qualidade, acabava fazendo com que a revista 'destoasse' das demais publicações da época.

Dentre os muitos colaboradores da publicação pode-se citar: Austregésilo de Athaíde, Di Cavalcanti, David Nasser, Djanira, Érico Veríssimo, Graciliano Ramos, Humberto de Campos, Jorge Amado, Rachel de Queiroz, Ziraldo, Millor Fernandes, Péricles (e o seu carioquíssimo 'Amigo da Onça') e tantos, tantos outros… A revista deixou de circular Junho de 1985.

E, por fim, a ultima das rainhas: Manchete.

Fundada por Adolpho Bloch, saiu às bancas em 26 de abril de 1952 com uma proposta editorial semelhante a de O Cruzeiro, apostando numa qualidade gráfica e editorial  ainda mais refinada do que a sua concorrente. A idéia era de se transformar na principal revista editada no Brasil, objetivo esse alcançado e mantido por décadas, até a 'aventura televisiva' em que se meteu Adolpho Bloch, que acabou levando todas as empresas do grupo a melancólica extinção em 2000.

Passaram pelas páginas de Manchete nomes como Carlos Drummond de Andrade, Rubem Braga, Manuel Bandeira, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino, Nelson Rodrigues, Jean Manzon, Joel Silveira… e continua a lista de grandes nomes do pensamento nacional.

E também havia o imbatível slogan: Aconteceu, virou Manchete!

A ultima edição da revista foi em 29 de julho de 2000.     

(José Augusto Gonçalves)

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