Purificador-depurativo do sangue, ou o atual detox

quarta-feira, 6 de maio de 2020.
Notícia
Água Rabello, Remédio Antigo, Embalagem antiga, Depurativo, Fundação Biblioteca nacional
O depurativo de sangue era o medicamento capaz livrar o organismo de impurezas ou, como definido no dicionário Michaelis: que ou o que tem a propriedade de limpar o sangue e livrá-lo de toxinas; depuratório. Ainda hoje procuramos naturalmente a tal depuração, que podemos considerar similar ao que denominamos detox, através de sucos e compostos à base de vegetais.

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Purificador depurativo do sangue, anti-rheumatico
Purificador depurativo do sangue, anti-rheumatico

A própria embalagem faz o anúncio do produto, enaltecendo e assegurando mesmo suas eficazes propriedades terapêuticas. O medicamento indica cura radical para vários males. Aponta também a posologia e reafirma sua qualidade enfatizando o fato de ter recebido premiação na Exposição Nacional de 1908 e de merecer o aval da Inspetoria de Higiene do estado onde foi produzido, Rio Grande do Norte, assim como de outros.

Essa embalagem faz parte do acervo de efêmeros do setor de Iconografia da Biblioteca Nacional. Efêmero compreende um gradiente bastante variado de impressos. Segundo definição de Maurice Rickards na obra The Encyclopedia of Ephemera, são os menores documentos transitórios da vida cotidiana embora nem todos os itens possam ser considerados transitórios ou mesmo menores. O acervo de efêmeros do setor de Iconografia da Biblioteca Nacional é constituído de cartazes, certificados, cartões comerciais, anúncios, embalagens, rótulos e cardápios.

A técnica utilizada nos rótulos, caixas e outros impressos dos assim chamados efêmeros era a cromolitografia. Essa técnica surge como um aperfeiçoamento da litografia, inventada em 1796, possibilitando o uso de cores nesses impressos.

O processo litográfico, gravação de matriz plana, isto é, sem incisão, diferindo por isso das técnicas de xilogravura onde a madeira é entalhada em alto relevo ou da gravura em metal em que a matriz sofre a ação de ferramentas e banhos de ácido sendo a imagem produzida através de baixo relevo. Na matriz em pedra calcárea, a pedra litográfica, o processo da gravação funciona basicamente através da repulsão entre água e óleo, sendo a pedra tratada e recebendo o desenho em tinta gordurosa.

Temos ainda hoje cursos de litografia, como por exemplo o da Escola Guignard, na Universidade do Estado de Minas Gerais. Esse tipo de impressão atualmente só é utilizado em produções artísticas. Interessante ressaltar que as pedras litográficas podem ser reutilizadas, como o são no referido curso.

O termo cromolitografia foi cunhado pelo francês Godefroy Engelmann e é o primeiro processo de impressão colorida em escala industrial tendo sido utilizado a partir de 1837. O uso das cores exigia um profissional específico e, a cada cor, correspondia uma matriz ou pedra litográfica. Esse processo, utilizado nos séculos XIX e XX, vem a ser substituído pelo processo de offset, consideravelmente mais prático.

Esses efêmeros de utilização comercial, como rótulos e embalagens eram enviados à Biblioteca Nacional por força das leis de Depósito Legal e de Direito Autoral.

Para mais esclarecimentos a respeito dessa técnica, convém tomar ciência do estudo minucioso e esclarecedor da Prof. Doutora Helena de Barros. Há um texto de sua autoria no portal da Biblioteca Nacional, sob o link disponível abaixo.

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