Os mestres da gravura

quinta-feira, 28 de maio de 2020.
Notícia
Arte, Catálogos, exposição, gravura, Mestres da Gravura, Fundação Biblioteca nacional
No mês em que comemoramos o nascimento do grande mestre da gravura alemã, Albrecht Dürer, nada mais interessante do que explorarmos o catálogo Mestres da Gravura para conhecer e apreciar um pouco da arte da gravura, as técnicas empregadas e a história desses ilustres artistas, como Rembrandt, Piranesi, Callot, Hogarth, Goya, assim como suas obras-primas que fazem parte das coleções da Fundação Biblioteca Nacional. Os catálogos de exposição são importantes ferramentas de pesquisa utilizadas pela Biblioteca Nacional para registrar e descrever o seu acervo.

A exposição em homenagem aos 200 anos da Fundação Biblioteca Nacional, realizada no Centro Cultural dos Correios no Rio de Janeiro, no período de 28 de julho a 18 de setembro de 2011, exibiu mais de 400 anos da história e evolução da gravura, exibindo os clássicos, os renascentistas, os neoclássicos, enfim, diversos mestres que deixaram importantes obras no passado mas que valem ser apreciadas agora e sempre.

Grande parte das 170 obras representativas da história da gravura europeia selecionadas para compor a exposição é oriunda da Real Biblioteca, trazida para o Rio de Janeiro em 1808, por ocasião da transferência da corte portuguesa. A coleção de gravuras avulsas da Fundação Biblioteca Nacional é constituída por algo em torno de 30 mil itens.

Na mostra, foi possível revisitar tanto as famosas xilogravuras quanto exemplares de diferentes técnicas de gravação em metal surgidas desde o período do Renascimento (século XV) ao Iluminismo (século XVIII). A curadora Fernanda Terra comenta que “gravar é dar vida às linhas do tempo. Das tramas delicadas do desenho sobre uma superfície bordaram-se com linhas incisivas, ao longo da história, algumas das mais sutis e notáveis obras de arte”.
As xilogravuras são gravuras em relevo a partir da matriz de madeira. O uso de matrizes em metal, que antes era restrito aos ourives, viabilizou o surgimento da gravura a buril conhecida como talho-doce. Utilizam, preferencialmente, chapas de cobre para confecção das matrizes onde o entalho produzido é entintado, a fim de se obter nas impressões um resultado mais refinado e aprimorado.

Calcografia é como ficou conhecida a arte da gravura em metal. Os cinco principais procedimentos da gravura em metal até o século XVIII são: à buril, à ponta-seca e à água-forte, técnicas herdadas dos ourives e armeiros medievais; à água-tinta e á maneira-negra foram criados para a construção de matrizes reticuladas por processos manuais e mecânicos. De meados para o fim do século XVIII somam-se a esses procedimentos as técnicas à maneira de crayon, do verniz mole e do pontilhado. O catálogo em questão apresenta as definições e explicações de todas as técnicas aqui citadas.

Há gravuras originais e gravuras de reprodução ou interpretação que foram dispostas em núcleos regionais de produção (coleções italiana, alemã, holandesa, flamenga, francesa, inglesa, espanhola e portuguesa) e por ordem cronológica de nascimento dos gravadores. Artistas como Rembrandt, Piranese, Dürer, Goya, Callot e Hogarth estão entre as gravuras originais. As gravuras de reprodução ou interpretação também realizadas por grandes gravadores “apresentam obras-primas da pintura, da escultura e do desenho, tendo constituído, durante muito tempo, uma das mais importantes formas de difusão da arte e de divulgação dos artistas”, conforme salientou a curadora da mostra.