Há 168 anos, era inaugurada a primeira linha de telégrafo do Brasil

terça-feira, 12 de maio de 2020.
Notícia
Arte, telégrafo, comunicação, Palácio da Quinta da Boa Vista, Morro do Castelo, século XIX, 1852, Fundação Biblioteca nacional
A primeira linha telegráfica do Brasil era subterrânea e possuía 4,3 mil metros de extensão. Construída por determinação de D. Pedro II – o imperador –, ligava o Palácio Imperial da Quinta da Boa Vista ao Quartel General do Exército no Campo de Sant’Annna, no Rio de Janeiro então capital do império.

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cabine do Telégrafo no Morro do Castelo
cabine do Telégrafo no Morro do Castelo

Se nos dias de hoje a internet se constitui num dos principais meios de comunicação, sendo considerada uma das principais ferramentas da globalização, no século XIX a realidade era outra, a informação chegava através de cartas. Ao menos até a invenção dos telégrafos, um dos inventos mais significativos daquele século, sendo responsável por mudar a comunicação e também desenvolver uma forma própria de descrever os acontecimentos através de vocabulário, linguagem e ritmo por inúmeras pessoas em todo o mundo.
O telégrafo foi um sistema de comunicação desenvolvido antes do telefone, com o objetivo de transmitir mensagens de forma confiável e segura de um ponto a outro através de grandes distâncias. Foi muito utilizado pelos governos e corporações militares para transmitir mensagens por meio de uso de códigos e nenhuma outra mensagem poderia ser transmitida pelo mesmo fio antes que a primeira tivesse chegado ao seu destino final. O código Morse, criado por Samuel Morse, era amplamente utilizado nos telégrafos.
“A comunicação dos pensamentos, das ordens, das notícias já não encontra demora na distância”. A afirmação do Ministro da Justiça Eusébio de Queiroz Coutinho Mattoso Câmara ao imperador, anunciava o sucesso da primeira etapa do seu feito que tinha como propósito atender aos interesses do Estado, entre eles expedir de forma mais rápida as ordens para a repressão ao tráfico de escravos. Para o desenvolvimento desse projeto o ministro contou com o apoio, conhecimento e experiência do professor de física da Escola Central, Dr. Guilherme Schuch de Capanema. O império, em vinte anos, estendeu quilômetros de linhas telegráficas ligando 182 estações.
A nova técnica fazia parte do projeto político e econômico D. Pedro II responsável pelo desenvolvimento e modernização do país, que teve o seu auge nos anos de 1850, com a implantação de estradas de ferro, iluminação a gás e o telégrafo elétrico adaptado e aprimorado por pesquisadores devido à importância do serviço. O Barão de Mauá teve uma relevante atuação nos setores de energia, transportes e comunicações, sendo sua, inclusive, a iniciativa de introduzir o telégrafo submarino entre o Brasil e Europa.