Há 120 anos, era inaugurada a primeira linha elétrica de bondes em São Paulo

quinta-feira, 7 de maio de 2020.
Notícia
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Em 7 de maio de 1900, finalmente era inaugurada a primeira linha de bondes elétricos em São Paulo unindo o largo de São Bento à Barra Funda. A cidade foi a quarta do país a ter bonde elétrico, após Rio de Janeiro (1892), Salvador (1897) e Manaus (1899). Inicialmente havia 15 unidades com capacidade para 45 passageiros sentados para atender algo em torno a 240 mil habitantes.

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Largo de São Bento, no álbum Lembrança de São Paulo
Largo de São Bento, no álbum Lembrança de São Paulo

Os bondes elétricos são considerados por muitos uns dos meios de transportes mais românticos, pois percorriam em baixa velocidade as ruas dentro da cidade, subindo e descendo as ladeiras, próximo às casas de forma que era possível cumprimentar algum conhecido, além de parar na esquina da residência e em frente aos colégios.
Os primeiros bondes que chegaram ao Brasil eram puxados por animais e funcionavam da seguinte forma: possuíam rodas preparadas para que rolassem sobre os trilhos de aço e não escapassem quando puxados pelos animais. Eram conduzidos por um cocheiro, responsável por segurar as rédeas dos animais nas paradas e em caso de emergência. Considerados mais silenciosos e confortáveis do que os transportes antecessores, os trilhos permitiam fugir das irregularidades do solo. Tais bondes pararam de circular em 1903, exceto a linha no bairro de Santana inaugurada em 1890, que funcionou até 1907. Veja a imagem que pertence a Seção Iconografia do bonde de tração animal no Rio de Janeiro.
A concessão da franquia para construir, organizar e operar o sistema de bondes elétricos na cidade foi concedido à São Paulo Raiway, Light and Power Company Ltda pelo período de 40 anos. As cidades do estado de São Paulo cresceram e se modernizaram com a sua chegada, visto que a inovação possibilitou o acesso aos locais mais afastados, facilitou o passeio aos museus e teatros das capitais e permitiu a vinda da tecnologia por meio dos transportes.
Em 1910, após dez anos de inauguração, o sistema possuía 197 bondes de passageiros, 34 de cargas e 9 para malas do correio. Versáteis, adaptavam-se a diferentes funções, tais como, bondes para assistência pública (ver postagem “O Bonde da Assistência” do dia 08/04/2020 nas redes sociais da Fundação Biblioteca Nacional) casamentos e batizados, de luxo, papa-defunto, entre outros.  Veja a imagem que faz parte da Coleção Brício de Abreu, da Seção Iconografia, um modelo de bonde no Rio de Janeiro, do ano de 1907 na BN Digital.
A cidade de São Paulo, nos anos 30, era considerada um grande centro urbano e os bondes já há algum tempo se mostravam insuficientes para suprir a demanda da cidade. Além disso, o desinteresse em continuar com o contrato que se encerraria em 1941, a falta de investimento em suas redes e energia aumentou o número de acidentes devido aos freios ineficientes, os descarrilamentos em curvas e as panes elétricas. Dessa forma, os bondes permaneceram em funcionamento até o final da Segunda Guerra Mundial.
O álbum Lembrança de São Paulo do fotógrafo Guilherme Gaensly (1843-1928) contém 49 reproduções em colotipia com imagens de São Paulo. Dentre elas: Estação Piassaguera; A entrada e restaurante da Estação da Luz; Largo do Palácio; o jardim do Palácio do Governo de São Paulo; Largo do Rosário; Rua Quinze de Novembro; Avenida Paulista; Palacete Elias Chaves; Fazenda de Café; Cachoeira de Votorantin, entre outras. Gaensly que nasceu na Suíça, mas viveu no Brasil desde os cinco anos de idade, dedicou-se ao retrato de estúdio, à documentação de edifícios e logradouross urbanos, ao acompanhamento de obras públicas e às paisagens rurais e natureza. Seu interesse pela cidade de São Paulo começa por volta da última década do século XIX em face do seu crescimento urbano, comercial e populacional em decorrência da economia cafeeira. Explore o documento pertencente a Iconografia.