Freire Alemão, o médico do Imperador D. Pedro II

sexta-feira, 29 de maio de 2020.
Notícia
Freire Alemão, médico, D. Pedro II, imperador, Fundação Biblioteca nacional
Médico particular de D. Pedro II, Francisco Freire Alemão e Cisneiro (1797-1874), diplomou-se como cirurgião pela Academia Médico-Cirúrgica do Rio de Janeiro, em 1827, assim como doutorou-se em medicina na Universidade de Paris, em 1831. Por ter conseguido curar D. Pedro II de uma enfermidade, foi designado como médico da Imperial Câmara em 1840.

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Imagem de “Estudos botânicos e descrições de plantas brasileiras” (1834-1866) compostos por 17 documentos que totalizam 3850 páginas.
Imagem de “Estudos botânicos e descrições de plantas brasileiras” (1834-1866) compostos por 17 documentos que totalizam 3850 páginas.

Em seguida, no ano de 1843, integrou a comitiva imperial encarregada de acompanhar a vinda da então princesa D. Teresa Cristina, noiva do Imperador brasileiro, de Nápoles ao Rio de Janeiro. Finalmente, entre 1859 e 1861, foi chefe da seção Botânica da Comissão Científica de Exploração proposta pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. A Comissão foi um dos marcos para a afirmação de uma ciência nacional, ou seja, feita por brasileiros a fim de conhecer temas brasileiros. 

A Coleção Freire Alemão – guardada pela Divisão de Manuscritos da Fundação Biblioteca Nacional – é composta por estudos e desenhos  sobre medicina e botânica;  notas de expedições e pesquisas; diários pessoais; correspondência enviadas pelo titular e recebidas de diversas personalidades da História brasileira; documentos referentes a escravos; arquivos referentes à expedição ao Ceará, com desenhos de Reis de Carvalho.

Dentre as inúmeras cartas e anotações que compõem a Coleção Freire Alemão da BN, algumas atestam que a ameaça à vida humana engendrada por epidemias tem uma longa relação com a História do Brasil. As correspondências trocadas e as observações escritas pelo médico também servem como evidências históricas das nossas estratégias e capacidade de superação a tais ameaças à saúde pública como, por exemplo, a instituição de uma Junta de Higiene (1850) e de uma medicina mais social e preventiva em decorrência da febre amarela.

(Allan Carlos dos Santos)