O Fluminense, tradição da imprensa brasileira

sexta-feira, 8 de maio de 2020.
Notícia
Jornal O Fluminense, jornalismo, imprensa brasileira, Fundação Biblioteca nacional
Há 142 anos surgia, em Niterói, o jornal O Fluminense. Fundado em 8 de maio de 1878 pelos majores da Guarda Nacional Francisco Rodrigues de Miranda, que entrou com os conhecimentos sobre imprensa, e Prudêncio Luís Ferreira Travassos, que teria fornecido o capital para a empresa, circulava simultaneamente em Niterói e no Rio de Janeiro, então capital do Império. Permanece em circulação até a atualidade.

De caráter conservador, o jornal prometia, em seus primeiros editoriais, não se deixar “cegar pela paixão partidária”. Contudo, o periódico tem discurso conservador, e explicita sua ligação ao Partido Conservador, em especial com a saída de Travassos do impresso, poucos meses após a fundação. Miranda permaneceu como único proprietário e, em seu subtítulo, passa a figurar a indicação “órgão conservador da província do Rio de Janeiro”.

Em seus artigos e editoriais, informava lutar pelos interesses da província. Fazia campanhas e chegou a atribuir a construção da Biblioteca Pública e do Corpo de Bombeiros de Niterói a essas ações. Algumas de suas bandeiras também eram a instrução pública, abertura de novas estradas, incremento da lavoura e do comércio. Em seus primeiros anos, publicava folhetins, como os de Salvador Guijarro, Hippolyte Fournier, George Vautier, Ceballo Quintana, dentre outros.

Durante o governo Floriano Peixoto, a tendência do jornal foi aproximar-se ainda mais da situação. Participou de campanhas contra a transferência da capital do Estado para Petrópolis (em 1899) e chegou a ser ameaçado de empastelamento por ocasião da crise entre a ala dissidente do Partido Republicano Fluminense, representada pelo governo de Alfredo Backer e a situação.

Por ocasião da crise política de 1930, que resultou na chegada de Getúlio Vargas ao poder, por meio de um golpe, o periódico apoiou o Governo Provisório, enquanto, paradoxalmente, criticava a política de indicação de interventores para os Estados. A ligação entre o veículo de comunicação com o Estado Novo (1937-1945) se deu sem  problemas, e pode ser notada a partir da premissa, adotada pelo então responsável, Luiz Henrique Xavier de Azeredo, genro do já falecido Miranda, de “isenção”, para com os governantes estaduais e municipais.

Sua tradição conservadora e uma crise econômica devido à má administração do jornal, levou seu proprietário a apoiar a União Democrática Nacional (UDN), a partir de 1954. O controle passou às mãos do Deputado Alberto Torres, que rompeu com Vargas e com o governo estadual de Amaral Peixoto. Assumindo preocupações de âmbito nacional, fez oposição a Juscelino Kubitschek, apoiando a candidatura de Jânio Quadros em sua sucessão. Por ocasião da renúncia de Quadros, entretanto, defendeu a permanência de João Goulart na Presidência.

Torres alinhou o discurso do jornal à defesa ao Golpe Militar de 1964, servindo de difusor das ideias de tomada do poder pelos militares. O jornal seguiu, durante a ditadura militar, a sua linha conservadora, apoiando os governos militares – assim como o fez boa parte da chamada “grande” imprensa nacional.

Durante período da redemocratização, apresentou defesa à campanha das Diretas Já, reconhecendo a necessidade de haver a retomada de padrões democráticos no país. Apesar disso, em 1987, apresentou críticas à Assembleia Constituinte, apontando um excessivo caráter de políticas sociais e nacionalistas, sem uma diretriz concreta para a adoção das medidas preconizadas na futura Carta Constitucional.

Atualmente, o jornal circula em Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá, Rio de Janeiro, além das regiões Serrana e dos Lagos do Estado, oferecendo informações de caráter regional e nacional, tanto em meio físico quanto em portal virtual. Algumas das principais manchetes giram em torno das questões sobre violência urbana, notas de utilidade pública, dicas culturais, política.

Visando preservar o acervo, a Hemeroteca Digital tem o periódico digitalizado a partir da edição número 4, de 1878, até o ano de 2016. Posteriormente a essa data, os exemplares impressos podem ser consultados fisicamente, dependendo das condições de conservação e manuseio dos fascículos.

(Raquel França dos Santos Ferreira)