O fim da República Café com Leite e a Revolução de 1932

sábado, 23 de maio de 2020.
Notícia
Brasil República, república Café com Leite, Revolução Constitucionalista de 1932, Fundação Biblioteca nacional
Em 1890, o Brasil foi declarado República. Dom Pedro II foi deposto e a República foi proclamada através de um golpe de Estado, liderado pelo Marechal Manuel Deodoro da Fonseca. O período que vem a seguir é chamado República Café com Leite, pois é marcado pelo revezamento presidencial entre paulistas (produtores de café) e mineiros (produtores de leite). Esse período durou até o ano de 1930, quando houve a Revolução de 1930.

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O fim da República Café com Leite e a Revolução de 1932
O fim da República Café com Leite e a Revolução de 1932

As eleições de 1930 contaram com um candidato que não pertencia nem a São Paulo, nem a Minas Gerais, o gaúcho Getúlio Vargas. Concorreram a este pleito os candidatos Júlio Prestes, pelo Partido Republicano Paulista (PRP) e Getúlio Vargas, pela Aliança Liberal (AL). Essa época foi marcada pelo voto de cabresto, e uma pequena parte da população tinha direito ao voto, ficando excluídos mulheres e analfabetos.

 Vargas perdeu as eleições para Prestes, e a AL deu início à mobilização dos militares para a tomada do poder. Antes de Prestes assumir a presidência, João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, candidato à vice-presidência da chapa de Vargas, foi assassinado. Embora não tivesse nenhuma relação política, a morte de João Pessoa serviu como gatilho para a Revolução de 1930. O velório levou centenas de pessoas às ruas e trouxe apoio popular ao golpe. Isso foi suficiente para que os militares exigissem a renúncia do então presidente Washington Luís e entregassem o poder a Getúlio Vargas.

Vargas assume o poder provisoriamente, tornando nula a constituição brasileira elaborada em 1891. Em 1932, o governo provisório de Vargas permanecia sem nenhuma constituição. Vargas nomeava interventores para São Paulo que não correspondiam aos interesses da elite paulista. Isso fez com que os paulistanos dessem início a uma mobilização popular, exigindo não apenas a escolha de um interventor, mas a formação de uma assembleia constituinte e eleições.

No dia 23 de maio de 1932, na cidade de São Paulo, uma passeata reuniu milhares de pessoas para protestar contra a nomeação de um interventor e reivindicar a formação de uma Assembleia Constituinte.

Próximo à Praça da República, os manifestantes tiveram um confronto com os partidários da Legião Revolucionária, que apoiava Vargas. Na troca de tiros, quatro jovens morreram. Euclides Miragaia, Mário Martins, Dráusio Marcondes e Antonio de Camargo foram os mortos no confronto, cujas iniciais foram usadas para nomear a sociedade secreta M.M.D.C. que representou o Movimento Constitucionalista.

Essas mortes foram o estopim para a revolução. Os Paulistas perderam apoio de outros estados e acabaram lutando sozinhos contra o exército nacional. A luta armada teve início no dia 9 de julho de 1932 e durou três meses, deixando mais brasileiros mortos do que a 2ª Guerra Mundial iria deixar anos depois.

A revolução acabou com a rendição dos paulistas e o compromisso de Vargas lançar uma constituinte em 1934.

Cabe destacar que historiadores divergem sobre a verdadeira motivação para esta revolução. Enquanto alguns alegam que a motivação foi pressionar o governo a organizar uma Assembleia Constituinte, outros afirmam que era uma luta da elite paulista pela retomada ao poder, e que a constituição foi utilizada como argumento mobilizador das massas. Os paulistas investiram fortemente em material gráfico para a campanha revolucionária. O mapa que ilustra este post representa o estado de São Paulo com as frentes de defesa do estado.