O censor que ria das piadas do Pasquim

terça-feira, 19 de maio de 2020.
Notícia
O Pasquim, jornal, carioca, Fundação Biblioteca nacional
Um general boa pinta e bon-vivant, que marcava ponto na praia e achava uma diversão ser o censor do jornal O Pasquim. Ria das piadas enquanto metia a caneta. Essas e outras histórias estão agora na página de O Pasquim - http://bndigital.bn.gov.br/dossies/o-pasquim - na Biblioteca Nacional Digital. O jornal, que fez estrondoso sucesso nos anos 60 a 80, tem todas as suas 1.072 edições digitalizadas pela Biblioteca Nacional.

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Quadrinhos do Jornal O Pasquim
Quadrinhos do Jornal O Pasquim

Além das edições do jornal, o visitante também pode ler na página a “História” d’O PASQUIM, contada por Sergio Augusto e Ricky Goodwin, e as “Memórias” vividas no jornal, contada por 28 pasquineiros, dos fundadores como Olga Savary, Jaguar, Tarso e Sergio Cabral, dos Colaboradores, como Ivan Lessa, Paulo Francis e Luiz Carlos Maciel, e de amigos de fé, como Caetano Veloso.

Agora, neste mês de maio de 2020, foi incluído mais um item na página, qual seja, as “Histórias da Patota”, hilárias histórias vividas pela Patota contadas por 12 quadrinistas brasileiros, entre eles Paulo Caruso, Adão Iturrusgarai, Miguel Paiva, Luiz Gê e Allan Sieber.

Leiam a história contada por Ricardo Leite:

CENSURA: GENERAL JUAREZ

POR RICARDO LEITE

O Pasquim era um jornal tipicamente carioca, de Ipanema, e por coincidência (ou não) lhe designaram um censor tipicamente carioca, de Ipanema. Um general boa-pinta e bon-vivant, marcando um ponto na praia, marcando ponto com as mulheres, curtindo a vida boa. Para ele, censurar O Pasquim era a maior diversão. Dava gargalhadas com as piadas, enquanto ia metendo a caneta. Mas com ele pelo menos era possível um diálogo, argumentar a favor de certas coisas, porque a conversa, por via das dúvidas, tosava muita coisa inocente e sem conotação política.

Esta história em quadrinhos menciona que o pessoal d’O Pasquim levava a pilha de material para o general ver em sua garconnière. Para os leitores mais novos, explicamos que este era o nome dado aos pequenos apartamentos que os homens alugavam para receber suas amantes ou ficantes. Nessa época, não se usava motel, ou seja, o guardião da moral e dos bons costumes exercia a censura em um local de fuque-fuque.

É importante explicar também por que a entrevista citada ao final da história deu tanta celeuma. Foi a primeira vez, depois da censura prévia, em que alguém afirmou publicamente que existia racismo no Brasil. A palavra “racismo” era proibida (sim, havia uma lista de palavras proibidas).