Vem aí: D. Maria I, a rainha louca, é tema de exposição na Biblioteca Nacional.

segunda-feira, 6 de abril de 2020.
Notícia
exposição, Fundação Biblioteca nacional
A Biblioteca Nacional prepara mais uma exposição para celebrar os 200 anos da Independência do Brasil, que serão celebrados em 2022. O ano passado, a série foi aberta com “1808 – 1818: a construção do reino no Brasil”. Com curadoria dos historiadores Mary Del Priori e Julio Bandeira, a exposição “D Maria I A Rainha do Brasil” versa a história de D. Maria I de Portugal e do Brasil. Primeira mostra a contemplar a vida de uma cabeça feminina coroada, o acervo iconográfico e documental da Biblioteca Nacional permitirá contar sua história em que se mesclaram sucessos e perdas, seu cotidiano, o cenário onde se movimentou, num período charneira da História Moderna, em que o Antigo Regime se desfazia e Napoleão mudava as fronteiras da Europa.

A época será o fio condutor para a apresentação de Portugal e Brasil na virada do século XVIII para o XIX, assim como sua relação com o mundo. D Maria I foi, então, esposa e mãe. E nascer, casar ou morrer, eram eventos políticos cercados de celebrações. Valorizada como centro da família real, ela reforçava e construía a imagem que deveria ser reverenciada: a da casa de Bragança.

Mas é sua intimidade que a exposição irá explorar, através dos ajustes familiares, relações com o cônjuge D. Pedro e filhos, sua presença nas efemérides que marcavam a Colônia, depois Reino Unido e Império do Brasil. Da representação do poder à instantâneas de solidão, da gala festiva dos casamentos, à viuvez e exílio, a ideia é revelar a força e a fragilidade de soberanas, características, contudo, presentes em tantas brasileiras.

Maria I, apelidada de "a Piedosa" e "a Louca", foi a Rainha de Portugal e Algarves de 1777 à 1815, e também Rainha do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves a partir do final de 1815 até sua morte. A partir de 1792, seu filho mais velho, João, atuou como regente do reino em seu nome devido à sua doença mental. Era a filha mais velha do rei José I e sua esposa a infanta Mariana Vitória da Espanha.

Maria nasceu a 17 de dezembro de 1734 no Paço da Ribeira, em Lisboa, Portugal. Seu nome completo era Maria Francisca Isabel Josefa Antónia Gertrudes Rita Joana de Bragança. Foi a segunda filha de D. José de Bragança, então Príncipe do Brasil, e sua esposa Mariana Vitória de Bourbon, Infanta de Espanha.

Quando o seu pai subiu ao trono em 1750, como D. José I, Maria tornou-se sua herdeira presuntiva e recebeu os títulos tradicionais de Princesa do Brasil e Duquesa de Bragança.

A continuidade dinástica da Casa de Bragança ficou assegurada com o seu casamento com o tio Pedro de Bragança, que subiria ao trono como Pedro III de Portugal.

Seu primeiro ato como rainha, iniciando um período que ficou conhecido como a Viradeira, foi a demissão e exílio da corte do marquês de Pombal, a quem nunca perdoara a forma brutal como tratou a família Távora durante o Processo que os condenou à morte de forma bárbara. Rainha amante da paz, dedicada a obras sociais, concedeu asilo a numerosos aristocratas franceses fugidos ao Terror da Revolução Francesa (1789-1799). Era, no entanto, dada a melancolia e fervor religioso de natureza tão impressionável que, quando ladrões entraram em uma igreja e espalharam hóstias pelo chão, decretou nove dias de luto, adiou os negócios públicos e acompanhou a pé, com uma vela, a procissão de penitência que percorreu Lisboa.

A 5 de janeiro de 1785,  promulgou um alvará impondo pesadas restrições à atividade industrial no Brasil; como por exemplo proibia a fabricação de tecidos e outros produtos. Durante seu reinado, ocorreu o processo, condenação e execução do alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.

Mentalmente instável, desde 10 de fevereiro de 1792 foi obrigada a aceitar que o filho tomasse conta dos assuntos de Estado. Obcecada com as penas eternas que o pai estaria sofrendo no inferno, por ter permitido a Pombal perseguir os jesuítas, o via como "um monte de carvão calcinado".

Em 1799, sua instabilidade mental se agravou com os lutos pelo marido Pedro III (1786) e seu filho, o príncipe herdeiro José, Duque de Bragança, Príncipe da Beira, Príncipe do Brasil, morto aos 27 anos (1788), a marcha da Revolução Francesa, e execução do Rei Luís XVI de França na guilhotina. Por isso, João, seu filho e herdeiro, que futuramente se tornaria João VI de Portugal, assumiu a regência.

A Família Real Portuguesa transfere-se para o Brasil devido ao receio de ser deposta, à semelhança do que ocorrera nos países recentemente invadidos pelas tropas francesas. A família real foge para o Brasil a 13 de Novembro de 1807 deixando Portugal a mercê do invasor.

Quando Napoleão foi derrotado, em 1815, Maria e a família real encontravam-se ainda no Brasil. Dos membros da realeza, porém, foi a que se manteve mais calma, chegando a declarar: Não corram tanto, vão pensar que estamos a fugir. Incapacitada, Maria viveu no Brasil por oito anos, sempre em estado infeliz. Ela morreu no Convento do Carmo, na cidade do Rio de Janeiro, em 20 de março de 1816, aos 81 anos de idade. Após as cerimônias fúnebres, seu corpo foi sepultado no Convento da Ajuda, também no Rio. Com sua morte, o Príncipe Regente João foi aclamado Rei de Portugal, Brasil e Algarves.

Em 1821, após o retorno da Família Real para Portugal, seus restos mortais foram transladados para Lisboa e sepultados em um mausoléu na Basílica da Estrela, igreja que ela mesma mandou erguer.

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