Saúde Pública / Sabonete Sanitário

sexta-feira, 17 de abril de 2020.
Notícia
Na virada do século XIX para o XX, o discurso médico-higienista conquistava cada vez mais espaço na imprensa brasileira. Com ele, uma série de anúncios e rótulos em produtos corroboravam a importância com os cuidados do corpo para o gozo de uma saúde perfeita. No bojo do discurso higienista, as noções de civilidade eram igualmente transmitidas, como propósito ideal para o cultivo da boa conduta física e moral.

Pastilhas, emplastos e demais elixires, cujas propriedades prometiam toda sorte de benefícios, atraíam grande curiosidade do público, aferida tanto pelas soluções imediatas, quanto pelos recursos estéticos e gráficos das caprichadas letras e vinhetas presentes nas embalagens. Os saponáceos, por exemplo, eram amplamente recomendados desde a assepsia do corpo e seus efeitos refrescantes, aromatizantes à difícil remoção de tintas e gorduras em tecidos. Além disso, a função dos sabonetes, em certa medida, alinhava-se aos princípios de beleza e mesmo de eugenia, pois prescreviam como resultados o branqueamento da cútis, assim como a aquisição de uma pele aveludada, formosa e livre de manchas.

Na imagem, vê-se o invólucro do Sabonete Sanitário de fabricação brasileira. Produto de utilidade “indispensável” conforme detalhavam os anunciantes. De formatos, odores e preços vários, as finalidades do sabonete sanitário traziam também a importância da neutralização de doenças como de cura a muitos males devido ao seu efeito medicinal.

No rótulo, observamos o selo de qualidade conquistado na Exposição Nacional de 1901, evento que logrou ao fabricante P. Fernandes & Cia a medalha de ouro, estampada em frente e verso no produto.   Para lavar as crianças, perfumar as senhoritas, higienizar barbas, contornar erupções cutâneas, o sabonete sanitário passou a representar o bem-estar necessário ao cotidiano do povo.

 

(Tatiane Cova)