Quarentena e isolamento: O Lazareto da Gamboa, espaço de quarentena próximo ao cais e ao mercado

terça-feira, 21 de abril de 2020.
Notícia
Assim como a concepção e o termo Quarentena são de Vêneto, os espaços para reclusão e tratamento de doentes portadores de doenças infecciosas, os lazzarettos, também têm origem italiana.

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O desenho de autoria desconhecida a bico de pena que ilustra a região da Gamboa por volta de 1840.
O desenho de autoria desconhecida a bico de pena que ilustra a região da Gamboa por volta de 1840.

Os lazaretos, em português, eram hospitais isolados para onde os doentes eram enviados com a finalidade de serem tratados isolados do restante da população. Por vezes, o termo leprosário era utilizado como sinônimo para esses estabelecimentos.

A região do Valongo em fins do século XVIII e durante as três primeiras décadas do século XIX concentrou a comercialização dos escravizados vindos do tráfico atlântico até 1831 quando foi proibida por lei a entrada de escravos africanos no Brasil imperial. Na região encostrava-se o Cais do Valongo, onde os navios atracavam para embarque e desembarque e O Marcado do Valongo, onde ficavam os barracões, galpões e sobrados onde os escravizados se recuperavam da viagem e aguardavam exibição e venda. Nessas instalações precárias e insalubres, algumas enfermidades eram tratadas com sangrias praticadas por negros barbeiros, trabalho que ilustra Joaquim Lopes de Barros editada na Lithographia Briggs, 1841.

Para os escravizados africanos acometidos por doenças infecciosas, a quarentena acontecia no Lazareto da Gamboa, localizado no Monte da Saúde, próximo à região do Valongo. A construção deste espaço é de 1810 e foi realizado por negociantes de escravos que alegavam ser distante e prejudicial para os negócios a localização do lazareto oficial na Ilha do Bom Jesus, de acordo com inventário elaborado por pesquisadores ligados ao LABHOI-UFF (Laboratório de História Oral e Imagem).

O Lazareto da Gamboa teria capacidade para manter em suas dependências de uma só vez mil escravos. Os negociantes que o construíram - João Gomes Valle, José Luiz Alves e João Álvares de Souza Guimarães – recebiam 400 réis por escravo recolhido na instalação, como ressarcimento da despesa que tiveram em sua construção. Hoje o local não existe mais.

(Diana Ramos)

O desenho de autoria desconhecida a bico de pena que ilustra a região da Gamboa por volta de 1840 faz parte de um conjunto de 95 vistas do Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco e da Ilha de Tenerife.

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