O outro lado da Guerra do Paraguai

quinta-feira, 16 de abril de 2020.
Notícia
A região do Rio da Prata foi alvo de disputas territoriais desde os primórdios da colonização Ibérica nessa porção das Américas. Após os processos de independências sulamericanas, os quatro países limítrofes ao Rio da Prata, Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai se envolveram em vários embates ao longo do século XIX

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D.Pedro II, Conde D’Eu e Duque de Saxe em visita a Uruguayana,1865.
D.Pedro II, Conde D’Eu e Duque de Saxe em visita a Uruguayana,1865.

Um dos mais conhecidos foi a Guerra do Paraguai (1864-1870), quando Brasil, Argentina e Uruguai se uniram em torno da Tríplice Aliança contra o governo paraguaio de Solano Lopez. A justificativa para a guerra era que Lopez tencionava expandir os domínios paraguaios para o Rio Grande do Sul, o que implicaria em perdas territoriais das outras três nações. Após a batalha do Passo da Pátria, que teve lugar em 16 de abril de 1866, foi iniciada a incursão dos Aliados no Paraguai, tomando territórios dia após dia. Assim, a história vista pelo lado brasileiro nós já conhecemos: a vitória da Tríplice Aliança causou profundos danos econômicos e sociais ao Paraguai.

Entretanto, nessa postagem contamos um pouco da versão do outro lado da guerra. A Hemeroteca da Biblioteca Nacional possui alguns jornais paraguaios que enaltecem os feitos de Lopez e contestam a força e a organização militar de D. Pedro II.

El Centinella, de 1867, canta júblos a Solano Lopez, desejando que: “...el Sol de la gloria vá á alumbrar com sus dorados rayos […] valeroso Campeon Paraguayo, el gran Mariscal Lopez.” El Semanário, também de 1867, conta em detalhes o assalto paraguaio ao acampamento aliado nos pântanos do Tuiuti, dado em 24 de maio de 1866, enaltecendo uma vitória parcial de Lopez. A guerra terminou em julho de 1870, quatro meses após a morte de Lopez em batalha.

Explorando outros documentos: Solano Lopez, Acervo iconográfico sobre a Guerra do Paraguai e Plano do Sítio do Humaitá ambos disponíveis nos links abaixo.

O conjunto documental “A Guerra da Tríplice Aliança: representações iconográficas e cartográficas” foi incluído no Registro Internacional do Programa Memória do Mundo da Unesco, (MOW, na sigla em inglês), na edição 2014-2015. A candidatura reuniu acervos de nove instituições brasileiras e da Biblioteca Nacional do Uruguai.

A contribuição da BN inclui documentos iconográficos e cartográficos de seis coleções dos acervos de Iconografia, Manuscritos e Cartografia (Coleção Biblioteca Fluminense, Coleção Mário Barreto, Coleção Thereza Christina Maria, Coleção Benedito Ottoni, Coleção Biblioteca Nacional e Coleção Pimenta Bueno). Entre os itens, destacam-se dois álbuns fotográficos e um álbum de desenhos pertencentes à Coleção Biblioteca Fluminense, além dos mapas manuscritos da Coleção Thereza Christina Maria, entre outros. Parte deste acervo já foi digitalizado e pode ser acessado por meio do site da Biblioteca Nacional Digital.

(Raquel França dos Santos Ferreira)

 

Igreja de Humaitá
Acampamento da Forças Brasileiras em Lambari