Há 180 anos, chegava a fotografia na imprensa brasileira

sexta-feira, 17 de abril de 2020.
Notícia
fotografia, Imprensa, imprensa brasileira
Há exatos 180 anos, a imprensa brasileira entrava em êxtase. Na verdade, não só a imprensa: a comunidade científica e a sociedade letrada, em geral, também estavam fascinadas com a notícia da façanha de dois cientistas franceses: Joseph Nicèphore Niépce (1765-1833) e Louis Jacques Mandé Daguerre (1787-1851). Não era para menos. A eles se deve a descoberta da daguerreotipia, ou seja, da fotografia.

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Rio de Janeiro a partir da Ilha das Cobras
Rio de Janeiro a partir da Ilha das Cobras

Criado em 1839, logo no ano seguinte o daguerreótipo chegou ao Brasil. E, como no restante do mundo, chegou para revolucionar a forma como registramos a realidade à nossa volta. A imprensa e as artes, naturalmente, foram os meios que mais sentiram reflexos da inovação.

De início, separamos hoje algumas das primeiras considerações de jornais cariocas de vulto, a respeito da novidade. Parece que foi o Jornal do  Commercio quem deu o furo, no texto “Revolução nas artes do desenho”, de título para lá de certeiro, publicado em 1° de maio de 1839 – leia-o integralmente no link disponível no fim do texto. “Finalmente passou o daguerreotypo para cá os mares”, comemorava o mesmo Jornal do Commercio já em 17 de janeiro de 1840, sem deixar de ressaltar: “Hé preciso ter visto a cousa com os seus proprios olhos para se poder fazer idéa da rapidez e do resultado da operaçao”. “Quem de nós, há somente um anno, teria acreditado no daguerreotypo?”, se pergunta o Diário do Rio de Janeiro cerca de um mês depois. 

Como não poderia deixar de ser, logo toda a elite da capital imperial – e também de fora dela – passou a querer experimentar a novidade. Qual seria, afinal, o fascínio de ter a sua imagem “real”, como um reflexo de espelho, impressa para a posteridade? Uma nova classe surgiu cá por este lado do Atlântico: a dos daguereotipistas, que começaram a anunciar seus serviços nos jornais, no que seriam os classificados, onde àas vezes ficavam logo ao lado de avisos de escravos fugidos. Adeus às longas horas na mesma posição cansativa em frente aos obsoletos retratistas à óleo!

(Bruno Brasil