Francisco de Goya retratou os horrores da guerra

quinta-feira, 16 de abril de 2020.
Notícia
Em 16 de abril, relembramos o artista espanhol Francisco José de Goya y Lucientes, falecido em 1828 na França.

Nascido em 1746, Goya foi pintor da corte espanhola e membro da Real Academia de Bellas Artes de San Fernando. Autor prolífico, retratista de prestígio, cultivou todos os gêneros pictóricos. Um excepcional gravador, cuja obra gráfica equipara-se às de Albrecht Dürer e Rembrandt van Rijn.

A série Los Caprichos, publicada em 1799 e formada por 80 gravuras, apresenta críticas aos vícios humanos, críticas sociais e de costumes. Reúne imagens realistas e fantasiosas, povoadas por seres grotescos. Marcadas pela força expressiva da técnica da água-tinta, abordam as convenções sociais, o matrimônio e as tensões sexuais, a prostituição, a má educação, “asnerías” (cenas protagonizadas por burros, como críticas à estupidez e à ignorância), as superstições, os vícios do clero e da nobreza, os abusos de poder e a Inquisição.

A gravura não foi um meio de expressão secundário em sua trajetória artística. Ao contrário, teve protagonismo em sua obra e expandiu seu o espaço para expressar-se com liberdade, realizar experimentações formais e conceituais e consolidar sua poética. Em gravuras realizadas pela sua própria vontade, não condicionadas ao gosto e às convenções da clientela como ocorria nas pinturas executadas sob encomenda, puderam florescer os aspectos inovadores e o espírito moderno de sua arte.

(Juliana Uenojo / Seção de Iconografia)