Drogaria Granado, tradição carioca

sábado, 11 de abril de 2020.
Notícia
A Drogaria Granado foi fundada pelo português José Antônio Coxito, em 1870, na rua Direita, onde hoje é a rua Primeiro de Março, no centro do Rio de Janeiro. No início, sua atuação teve como base a manipulação de produtos com extratos vegetais de plantas, ervas e flores cultivadas no sítio de seu fundador; assim como produtos importados europeus, principalmente os de toalete, muito procurados pela elite da capital do Império.

A Drogaria Granado tornou-se um grande sucesso comercial e era frequentada por professores e alunos da faculdade de medicina e também por políticos e toda a intelectualidade da época. Era fornecedora da Casa Imperial e, pelos seus serviços, D. Pedro II conferiu-lhe o título de Farmácia Oficial da Família Imperial Brasileira em 1880.

A foto de Marc Ferrez que ilustra esse post pertence à Coleção Thereza Christina e localiza-se na Divisão de Iconografia da Biblioteca Nacional. Na foto, a família real aparece ornamentando a fachada da drogaria: D. Pedro II, Imperador do Brasil, de pé, ao lado de Pedro Augusto, Princípe de Saxe-Coburgo, seu primeiro neto; D. Thereza Christina Maria, Imperatriz, sentada à esquerda do neto. Impresso no papel fotográfico está o motivo da ornamentação do estabelecimento: “Homenagem da Drogaria Granado, ao feliz regresso de S.S.M.M. Imperiaes, Rio 22 de agosto de 1888, Marc Ferrez.”.

No período republicano, a Granado manteve o seu sucesso. Durante a Primeira Guerra Mundial, a dificuldade para importação de produtos favoreceu as atividades da empresa, que aumentou sua produção. Em 1917, expandiu-se para a zona norte da cidade, abrindo uma loja na rua Conde de Bonfim, transformando-se numa marca tradicional do bairro.

Com a vinda de laboratórios estrangeiros para o país e a crescente desnacionalização da indústria farmacêutica, a Granado foi perdendo terreno no campo da produção farmacêutica. Foi parando de fabricar vários produtos e concentrou-se na sua produção mais tradicional, como o polvilho antisséptico, produto-símbolo da empresa.

Em 1994, a empresa passou a ser presidida pelo inglês Christopher Freeman e, em 2004 a Phebo foi incorporada à empresa. A partir de 2013 atingiu o mercado internacional com lojas em Paris, Atenas, Barcelona, Bolonha, Lausanne, Londres, Madri, Viena e Lisboa.