Há 528 anos, em 31 de março, a “Segunda diáspora do Egito”

terça-feira, 31 de março de 2020.
Notícia
Egito
Em 31 de março de 1492, os Reis Católicos, como ficaram conhecidos o Rei Fernando II de Aragão e a Rainha Isabel de Castela, promulgaram o Decreto de Alhambra, após a conquista de Granada, na Espanha, pelo qual expulsavam os judeus do território caso não se convertessem ao catolicismo. Com a queda de Granada, a cidade passa para o domínio dos Reis Católicos e chega ao fim o domínio árabe na Península Ibérica do início no século VIII.

A unidade religiosa foi a principal ferramenta política dos Reis Católicos que impunha a conversão de judeus e muçulmanos espanhóis a religião da Coroa. Neste cenário, o Tribunal do Santo Ofício da Inquisição ressurgiu em Castela, em sua face mais letal, como mantenedora da ortodoxia da fé, mas que acabou se tornando um instrumento de intolerância em relação às crenças não cristãs. Após o Decreto de Alhambra, os judeus não convertidos tornaram-se alvo de perseguição por parte da Inquisição.

A expulsão do território espanhol pelo decreto ficou conhecido como “a segunda diáspora do Egito”. O texto do édito assegurava aos judeus que optassem em manter sua fé e assim, assumiam a mudança de território, a possibilidade de levarem os seus pertences, contanto que todo ouro e prata fossem entregues a fiscais do Estado.

Contudo, a presença dos judeus não se tratava apenas de uma ameaça ao Cristianismo. Tradicionalmente autônomos, estavam mais alheios das obrigações servis. Além da relação com as finanças, o nível de instrução associada ao povo judeu é outro fator que corrobora com a relativa emancipação na sociedade da época, podendo representar uma ameaça ao projeto maior de unidade engendrado pelos Reis Católicos.

Na fotografia albuminada da Coleção D. Teresa Cristina, Memória do Mundo pela Unesco, estão os túmulos dos Reis Católicos na Capela Real de Granada.