Reedição de obra histórica de Debret conta com apoio da Biblioteca Nacional

sexta-feira, 10 de junho de 2016.
Notícia
iconografia, Jean-Baptiste Debret, desenho, artes plásticas
A Imprensa Oficial do Estado de São Paulo (Imesp), com o apoio da Biblioteca Nacional e dos Museus Castro Maia, órgãos do Ministério da Cultura, acaba de reeditar a obra ‘Viagem pitoresca e histórica ao Brasil’ (1834-1839), de Jean-Baptiste Debret, para o Brasil o mais importante dos componentes da famosa “Missão Artística Francesa” ou “Missão Artística de 1816”, tal como a denominou o historiador Affonso d´Escragnolle Taunay, um dos primeiros a estudá-la.

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Jean-Baptiste DEBRET (des.) Thierry FRÈRES (lit.) Enterrement d'une femme nègre, segundo desenho de Debret [Enterro de mulher negra] Litogravura aquarelada.
Jean-Baptiste DEBRET (des.) Thierry FRÈRES (lit.) Enterrement d'une femme nègre, segundo desenho de Debret [Enterro de mulher negra] Litogravura aquarelada.

Pintor, cenógrafo e professor de pintura histórica na Academia Imperial de Belas Artes, da qual foi um dos fundadores, Debret retratou a Família Real, registrou grandes eventos políticos, como a “Aclamação de D. João VI” e a “Coroação de D. Pedro I”, escolheu as cores do Brasil, desenhou coroas, ordens honoríficas, cetros e moedas, além de criar cenários para as festividades e teatros oficiais; mas foi como fino e livre documentarista que revelou, para a Europa e o Brasil, a  nova nação, miscigenada e contrastante.

Nos 15 anos passados no Brasil, como registrou Lygia Cunha, a maior especialista da Biblioteca Nacional no acervo iconográfico sobre o Brasil do século XIX, Debret produziu o mais vasto e notável documentário sobre usos, costumes, vistas e acontecimentos históricos em nossa terra, publicando-o depois de voltar para a França em 25 de julho de 1831, e o fez “com uma paleta profundamente influenciada pela natureza brasileira”. Segundo Gilberto Freyre, ele nos legou “as primeiras observações de interesse a um tempo artístico e sociológico”.

A edição lançada pela Imesp – a primeira feita a partir das litogravuras aquareladas originais – foi organizada pelo sociólogo e filósofo francês Jacques Leenhardt, também responsável pela primeira edição do livro na França, publicada no ano passado e autor do estudo “Um olhar transversal sobre a construção da nação brasileira”, que acompanha a obra.

Com 652 páginas, esta edição é a primeira feita no Brasil em um único volume.

Segundo a Imesp, o livro pode ser adquirido no site de sua livraria, http://livraria.imprensaoficial.com.br/ e em livrarias das principais capitais do país.

Jean-Baptiste DEBRET (des.) Thierry FRÈRES (lit.) Enterrement d'une femme nègre, segundo desenho de Debret [Enterro de mulher negra] Litogravura aquarelada.
Jean-Baptiste DEBRET (des.) Thierry FRÈRES (lit.) Le vieillard convalescent [O velho convalescente], 1835 Litogravura aquarelada.
Jean-Baptiste DEBRET (des.) Thierry FRÈRES (lit.) Brulement de l'effigie du juda: le Samedi Saint, 1835 [Malhação do Judas no sábado de Aleluia] Litogravura aquarelada.