“Exaltação” – Romance feminista de grande sucesso no início do século XX será reeditado pela primeira vez

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016.
Produção editorial
feminismo, editoração
A publicação pretende relembrar a obra de uma das escritoras feministas mais aclamadas pela crítica de seu tempo, como observou a organizadora da obra e pesquisadora do Programa Nacional de Pesquisadores Residentes – PNAP-R, da Fundação Biblioteca Nacional, Anna Faedrich.

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A escritora Albertina Bertha - Foto: Acervo Anna Faedrich.
A escritora Albertina Bertha - Foto: Acervo Anna Faedrich.

O contrato entre a Gradiva Editorial e a Fundação Biblioteca Nacional para a coedição de “Exaltação”, romance de Albertina Bertha, foi assinado este mês, como resultado do Edital de Coedições sem Ônus da FBN.

Mesmo esquecido, o livro Exaltação era sempre classificado pelos principais sebos do país como obra rara, e podia ser encontrado nas estantes da Biblioteca Nacional, assim como várias críticas em periódicos da época, que elogiaram o trabalho da escritora.

Na década de 1920, a escritora Albertina Bertha era exaltada pela crítica como um dos grandes nomes literários do país. Escreveu cinco livros relevantes, todos de teor realista, que expressavam o debate sobre questões morais, direitos humanos, o lugar da mulher na sociedade brasileira, debates sobre as diferentes etnias brasileiras, questões de ordem políticas.

Apesar do grande sucesso de crítica, com o passar dos anos os escritos de Bertha acabaram caindo no esquecimento por um longo período. No entanto, há alguns anos sua obra ressurgiu em rodas de debate sobre literatura e teoria literária no Instituto de Letras da UFRGS, em projeto que visava descobrir o porquê de tantos autores de romances de introspecção terem sido excluídos pelo discurso historiográfico da literatura brasileira.

Assim, uma das pesquisadoras do projeto da UFRGS, intitulado “Espaços circunscritos e subjetividade: formação do romance de introspecção no Brasil (1888-1930)”, Anna Faedrich, redescobriu em seu mestrado a obra da escritora Albertina Bertha. Posteriormente, em 2015, como bolsista do Programa de Apoio a Pesquisadores Residentes − PNAP-R, da Biblioteca Nacional, ela avaliou a participação da escritora, entre outras autoras feministas, nos principais jornais e revistas do final do século XIX e início do XX.

Segundo Anna Faedrich, as obras de Albertina Bertha têm “teor místico, intimista, trilhando um caminho no qual se inserirão mais tarde outros escritores, a exemplo de Lygia Fagundes Telles e Clarice Lispector”, como declara no posfácio de Exaltação. Foi a partir da pesquisa do PNAP-R que Anna decidiu organizar a nova edição do principal romance de Albertina Bertha, agora com apresentação, foto da autora, posfácio, cronologia e notas comentadas.

Entre as críticas recebidas por Albertina Bertha, na época de lançamento de suas obras, destaca-se aquela do jornal O País, em 9 de setembro de 1920: “entre as escritoras nacionais, nenhuma merece mais o estudo acurado da crítica do que a Sra. Albertina Bertha”. Para o crítico Homero Prates, “[Exaltação] é um livro grave e másculo, substancioso e forte, absolutamente emancipado de todos preconceitos”. Para o Jornal do Comércio, de 5 de dezembro de 1925, “Albertina Bertha é, portanto, hoje, um dos nossos grandes nomes literários, escritora de formidável poder de expressão, romancista que sabe traduzir as ansiedades da alma humana.”