Rubem Braga foi tema da conferência de Affonso Romano de Sant’Anna

segunda-feira, 26 de outubro de 2015.
Evento
Coleções e Séries, Estudos técnicos, Renato Lessa
A quinta palestra do ciclo “Construtores da Literatura Carioca” homenageou o escritor Rubem Braga no último dia 23 de outubro, no auditório Machado de Assis da Biblioteca Nacional. Organizado em parceria com a Academia Carioca de Letras (ACL), no âmbito das celebrações do 450º aniversário do Rio de Janeiro, o projeto inclui mais sete conferências e prossegue até janeiro de 2016.

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23 de outubro de 2015 - Affonso Romano de Sant’Anna fala sobre a obra de Rubem Braga no ciclo de conferências “Construtores da Literatura Carioca”.
23 de outubro de 2015 - Affonso Romano de Sant’Anna fala sobre a obra de Rubem Braga no ciclo de conferências “Construtores da Literatura Carioca”.

Na abertura do evento, Renato Lessa, presidente da Biblioteca Nacional (BN), mencionou, entre outras tantas qualificações do palestrante, “as marcas fortíssimas e indeléveis” que ele deixou na ‘casa’ durante sua gestão como presidente. Ricardo Cravo Albin, presidente da ACL, reiterou a importância do projeto “Construtores da Literatura Carioca”, que resultou no ciclo de conferências ‘reluzentes’ que está em curso.

Affonso Romano de Sant’Anna, poeta, ensaísta e professor, iniciou a conferência contando um pouco sobre a vida de Rubem Braga. “Muita gente não sabe, mas ele se formou em Direito, em 1932, escreveu nos Diários Associados e no Diário da Tarde, em Belo Horizonte, graças ao irmão Newton Braga, que foi para lá cuidar da saúde. Sua primeira tarefa como jornalista foi cobrir uma exposição de cachorros. Depois de ler a matéria sobre o evento, o diretor de redação disse: está nascendo um sujeito novo no jornalismo brasileiro. Esse rapaz vai longe!”, relatou o palestrante. Ele contou ainda que, segundo a biografia escrita por Marco Antonio Carvalho, foi o irmão Newton que ‘fez a cabeça’ de Rubem e o incentivou para o caminho das letras, apresentando-o a Ciro dos Anjos, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e Pedro Nava, entre muitos outros escritores.

A segunda parte da conferência foi dedicada aos contatos que Affonso Romano de Sant’Anna teve com o escritor homenageado. Ele destacou alguns momentos interessantes dessa convivência, como o dia em que pegou uma carona com Rubem Braga e o viu pedindo dinheiro emprestado ao motorista, além de outra ocasião quando o cronista lhe disse que estava precisando de dinheiro, porque esse negócio de literatura não “dava grana”. Citou também o que sentiu quando ouviu do amigo a frase “você sabe que eu só leio o que eu quero?”. “Como professor eu era obrigado a ler muitos textos que não queria e admito que fiquei com inveja”, confessou o conferencista. A descoberta do câncer nas cordas vocais, que fez Rubem Braga contratar sua própria cremação, no sentido de “viver a morte”, e a homenagem realizada na Biblioteca Nacional, quando o escritor faleceu, em 1990, quando Affonso era presidente da BN, também fizeram parte dos relatos dessa amizade.

“Rubem Braga foi autor de frases sintéticas que davam o seu recado, como por exemplo, ‘sou do tempo em que o telefone era preto e a geladeira era branca’. Entre outros traços biográficos, é importante lembrar os percalços que ele teve com a Igreja Católica; sua presença na FEB – Força Expedicionária Brasileira durante a Segunda Guerra Mundial, sobre a qual escreveu crônicas que narram com delicadeza os horrores e a crueza da guerra”, citou o palestrante.

Affonso Romano de Sant’Anna finalizou sua fala afirmando que Rubem Braga inventou a crônica moderna brasileira. “Ele começou a publicar em 1930, quando o tom predominante era o de ironia, mas ele contrariou a literatura brasileira e enveredou por outro caminho. Trouxe o interior do Brasil para a literatura, disse o que uma casa do interior tinha que ter, falou sobre o pé de milho, sobre o funileiro, sobre a borboleta amarela”, disse Affonso, que encerrou a homenagem lendo a clássica crônica “O pavão”.

23 de outubro de 2015 - Mesa formada por Renato Lessa, presidente da Biblioteca Nacional, Affonso Romano de Sant’Anna, ex-presidente da Biblioteca Nacional, e Ricardo Cravo Albim, presidente da Academia Carioca de Letras (ACL).
23 de outubro de 2015 - Mesa formada por Renato Lessa, presidente da Biblioteca Nacional, Affonso Romano de Sant’Anna, ex-presidente da Biblioteca Nacional, e Ricardo Cravo Albim, presidente da Academia Carioca de Letras (ACL).
23 de outubro de 2015 - auditório durante a apresentação de Affonso Romano de Sant’Anna sobre a obra de Rubem Braga.
23 de outubro de 2015 - Affonso Romano de Sant’Anna fala sobre a obra de Rubem Braga no ciclo de conferências “Construtores da Literatura Carioca”.