Biblioteca Nacional celebra o Dia do Tradutor

tradução
Data: 
30/09/2019 a 01/10/2019
Período e horários: 
10h30 às 17h no dia 30 de setembro
9h às 17h no dia 1º de outubro
Em celebração ao Dia do Tradutor (30/09), a Biblioteca Nacional (BN) recebe a III Jornada do Esttrada com uma programação de mesas e debates inspirados no tema “A tradução como metamorfose”.

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III Jornada Esttrada - O Dia do Tradutor - Tradução como metamorfose.
III Jornada Esttrada - O Dia do Tradutor - Tradução como metamorfose.

O evento será realizado em parceria com o Laboratório de Estudos de Tradução e Adaptação - Esttrada – que reúne pesquisadores da UFRJ, UFF, UFMA e de outras instituições – e com o Núcleo de Tradução e Criação da UFF. O evento que celebra o Dia do Tradutor será realizado no Auditório Machado de Assis da BN, nos dias 30 de setembro (10h30 às 17h) e 1º de outubro (9h às 17h).

Programação

30 de setembro

10h30

Abertura

Fabio Lima (FBN) | Vitor Alevato do Amaral (UFF / vice-líder do Esttrada)

11h

Palestra de abertura

Simone Homem de Melo: “A escrita metamórfica de Phantasus (1916), de Arno Holz, e a tradução do movimento"

14h

Mesa-redonda I

  • Evando Nascimento: "A tradução pensante: a metamorfose dos signos"
  • Susana Kampff Lages: “Metamorfose. Um programa para a tradução”
  • Paulo Henriques Britto: “Tradução como metamorfose?”

Debatedora: Luciana Villas Bôas

16h Mesa-redonda II
  • André Vallias: “Traduzir é construir um diagrama”
  • Rosa Freire d’Aguiar: "A tradução perpétua"

Debatedor: Marcelo Diniz

1º de outubro

9h às 12h

Sessão de debates sobre tradução I

Mediação: Simone Homem de Melo e Marcelo Jacques de Moraes

14h às 17h

Sessão de debates sobre tradução II

Mediação: Andrea Lombardi e Vitor Alevato do Amaral

17h Lançamentos
  • Haroldo de Campos. Tradutor e traduzido. Simone Homem de Melo (Org.) São Paulo: Perspectiva / PGET / UFSC.
    Apresentação: Simone Homem de Melo
  • Histoire des traductions en langue française XIXe siècle 1815-1914, de Yves Chevrel, Lieven D’hulst e Christine Lombez. Lonrai: Verdier                                              Apresentação: Émilie Audigier
  • Viagem em volta de uma ervilha, de Sofia Nestrovski e Deborah Salles, São Paulo: Veneta.
    Apresentação: Sofia Nestrovski

Participantes

Enviaram texto e estarão presentes:

Alessandra Vannucci, Anna Basevi, André Vallias, Andrea Lombardi, Bruna Franchetto, Carolina Paganine, Davi Pessoa, Emanuel Brito, Émilie Audigier, Evando Nascimento, Gaetano D'Itria, Fabrizio Rusconi, Francisco Manhães, Guillermo Giucci, Irma Caputo, Luciana Villas Bôas, Marcelo Diniz, Marcelo Jacques de Moraes, Maria Júlia Knippel, Nayana Montechiari, Renata Cazarini, Renata Villon, Rosa Freire d’Aguiar, Sergio Novo, Simone Homem de Melo, Sofia Nestrovski, Rainer Guggenheimer, Susana Kampff Lages, Vitor Alevato do Amaral, Vanderlei Mendonça, William Soares dos Santos.

Enviaram texto:

Álvaro Faleiros (São Paulo), Daniele Petruccioli (Roma), Dirce Waltrick do Amarante (Florianópolis), Fabio Belo (Belo Horizonte), Giorgio Sica (Salerno), Guilherme Gontijo Fores (Curitiba), Izabela Leal (Belém), Karine Simoni (Santa Catarina), Paulo Oliveira (Campinas), Valerio Magrelli (Roma).

Proposta - Tradução como metamorfose

A transformação do texto original em sua tradução é uma forma de continuação de sua vida, e é sobretudo um modo de o original morrer e reviver num processo metamórfico virtualmente infindável. A tradução garante a continuidade da vida de um texto, sua Fortleben, termo que Walter Benjamin sublinhou e que Haroldo de Campos traduziu como pervivência. Uma metamorfose tradutória redime, resgata ou  retoma (etimologicamente, recompra, recobra) algo que, paradoxalmente, já estava nas entrelinhas, velado, no texto. Vista como uma metamorfose, ou seja, uma mudança para além da forma, a tradução equivale a uma transformação radical - transmutação, translação, transliteração, transcriação, algo que literalmente trans-borda: vai além das bordas, como na sugestiva imagem do aprendiz de feiticeiro do poema de Goethe. Por intervirem radicalmente na forma de um texto, a tradução e, portanto, a interpretação que  subjaz a ela, realizam um gesto tipicamente expressionista – segundo a definição empregada pelo estudioso Gianfranco Contini. A realização desse gesto corresponde a um movimento que, segundo Goethe, na sua teoria das cores, pode ser observado na natureza, seja na transformação da crisálida ou, num contexto mais distante, na cultura chinesa, na transformação do feto em um ser, graças ao progressivo desdobramento de um embrião em órgãos, que manterão a ligação com o ser originário. Definida nos dicionários como mudança completa de forma, natureza ou estrutura, transformação, transmutação, como sinônimo de mudança radical, que altera profundamente o texto original, interpretando-o, a metamorfose pode ser vista também como o movimento visceral, que se origina de algo ainda informe, aquém até mesmo do original. É esse movimento que irá dar origem ao estilo, como assinala Roland Barthes em O grau zero da escritura.

Informações complementares: 
Entrada franca, condicionada ao limite físico do Auditório Machado de Assis da Biblioteca Nacional (126 lugares).
Local

Auditório Machado de Assis

Rua México s/n Rio de Janeiro, RJ 20031-144